BULLYING
"Sofro bullying na escola por ser negra"
Conheça a história da menina que sofre com o racismo na escola - e saiba como o seu filho pode agir se estiver sofrendo esse tipo de bullying também
02/08/2011 17:30
Texto Isabela Noronha
Foto: Dreamstime
É preciso estar atento a qualquer tipo de comportamento que possa ser considerado bullying
"Sou negra e, por isso, sofro bullying na escola: a maioria dos meus colegas é branca! Meninos de todas as séries me chamam de apelidos horríveis e ficam gritando xingamentos racistas para mim no recreio. Uma vez, até me bateram. Eu fico quieta porque tenho medo de responder e eles continuarem falando besteira. Quando isso acontece, fico muito triste e, às vezes, até choro. É sempre o mesmo grupo de meninos e meninas que faz isso comigo. Tenho certeza de que eles fazem isso só para me deixar com raiva. O que mais pesa é que acho que essas pessoas só olham a aparência. Elas não se preocupam em saber como eu sou, se tenho sentimentos, se vou sofrer... Para eles, nada disso importa! O que eu posso fazer?"
A.C., 15 anos
1. Identificar se é bullying
Xingar, dar apelidos ou discriminar alguém por ser negro é racismo. Quando isso acontece uma vez só, é horrível, mas não é bullying. Essa zoação do mal só pode ser classificada assim se rola com frequência e parte de um grupo contra uma garota, como é com a A.
2. Pedir medidas específicas
A criança ou adolescente deve saber que, para combater o bullying, a melhor medida é buscar apoio, com os amigos e um adulto de confiança, e pedir medidas à diretoria. Mas uma garota alvo de racismo deve ainda propor à escola que combata especificamente o preconceito em palestras e outras atividades. Quando o bullying é tratado de forma muito geral, há o risco de a galera não entender o recado e a zoação continuar.
3. Denunciar
Preconceito racial é crime no Brasil. Por isso, bullying ou não, não deixe passar batido. Se o seu filho sofrer esse tipo de violência ou vir isso rolando, incentive-o a falar com a diretoria ou ir a uma delegacia. Menores de idade que têm atitudes racistas podem sofrer punições, que vão desde uma advertência até internação por três anos.
"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda." (Paulo Freire )
domingo, 13 de novembro de 2011
Consciência Negra na Lei
Em 2003, a lei nº 10.639/03, tornou obrigatório o ensino da História e da Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas de ensino fundamental e médio do país. A imposição se aplica a instituições públicas e privadas. A partir da sanção dessa lei, as escolas brasileiras passaram a ter que implementar o ensino da cultura africana, da luta do povo negro no país e de toda a história afro-brasileira nas áreas social, econômica e política. O conteúdo deve ser ministrado transversalmente, em todo o currículo escolar, com ênfase nas áreas de História Brasileira, Educação Artística e Literatura. "Essa lei é uma reivindicação muito antiga e altera a Lei de Diretrizes e Bases", afirma Roseli Fischmann, coordenadora do grupo responsável pelo documento sobre Pluralidade Cultural dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), professora da USP e da Universidade Metodista de São Paulo. "A legislação faz justiça à contribuição que esse grupo esquecido, mas importante, deu ao país", explica ela, que também é expert da Unesco para a Coalizão Internacional de Cidades contra o Racismo e a Discriminação. Segundo Roseli, a lei é um passo importante para o reconhecimento presença histórica dos negros no Brasil e no combate ao racismo. "Uma das formas de discriminar um grupo é silenciá-lo, tornando-o invisível. Isso aumenta o desconhecimento e estimula o preconceito e ignorância".
Consciência Negra na Literatura Infanto Juvenil
Inserir a temática negra no currículo escolar é uma forma de combater a discriminação, apontam especialistas. Pais e professores também podem ajudar a reforçar a identidade cultural de crianças e jovens negros escolhendo livros e brinquedos com essa temática. "Esses materiais didáticos podem ser introduzidos na primeira infância, quando a criança começa a brincar", diz Oswaldo, da Metodista. Assim a criança vai automaticamente entender e até apreciar as diferenças. "É preciso naturalizar esse processo", conclui.
Veja a seguir uma lista de livros para crianças com protagonistas negros.
Menina Bonita do Laço de Fita
Autor: Ana Maria Machado
Faixa Etária: a partir dos 3 anos
A autora coloca em cena, através da história de um coelho branco que se apaixona por uma menina negra, alguns assuntos muito debatidos nos dias de hoje, como a auto-estima das crianças negras e a igualdade racial.
Luana, A Menina Que Viu O Brasil Neném
Autores: Oswaldo Faustino, Arthur Garcia e Aroldo Macedo
Faixa Etária: 4 a 8 anos
O livro conta a história de Luana, uma menina de 8 anos que adora lutar capoeira, e a historia do descobrimento do Brasil. Ao lado de seu berimbau mágico, ela leva o leitor a outras épocas e lugares e mostra o quão rica é a cultura brasileira, além da importância das diferentes etnias existentes por aqui.
Tudo Bem Ser Diferente
Autor: Todd Parr
Faixa Etária: 4 a 8 anos
A obra ensina as crianças a cultivar a paz e os bons sentimentos. O autor lida com as diferenças entre as pessoas de uma maneira divertida e simples, abordando assuntos que deixam os adultos sem resposta, como adoção, separação de pais, deficiências físicas e preconceitos raciais.
O Menino Marrom
Autor: Ziraldo
Faixa Etária: a partir de 7 anos
O Menino Marrom conta a historia da amizade entre dois meninos, um negro e um branco. Através da convivência aventureira dessas crianças ao longo de suas vidas, o autor pontua as diferenças humanas, realçando os preconceitos em alguns momentos.
Diversidade
Autor: Tatiana Belinky
Faixa etária: 8 a 12 anos
O livro mostra, através de versos, porque é importante sermos todos diferentes. A autora fala que não basta reconhecer que as pessoas não são iguais, é preciso saber respeitar as diferenças.
Veja a seguir uma lista de livros para crianças com protagonistas negros.
Menina Bonita do Laço de Fita
Autor: Ana Maria Machado
Faixa Etária: a partir dos 3 anos
A autora coloca em cena, através da história de um coelho branco que se apaixona por uma menina negra, alguns assuntos muito debatidos nos dias de hoje, como a auto-estima das crianças negras e a igualdade racial.
Luana, A Menina Que Viu O Brasil Neném
Autores: Oswaldo Faustino, Arthur Garcia e Aroldo Macedo
Faixa Etária: 4 a 8 anos
O livro conta a história de Luana, uma menina de 8 anos que adora lutar capoeira, e a historia do descobrimento do Brasil. Ao lado de seu berimbau mágico, ela leva o leitor a outras épocas e lugares e mostra o quão rica é a cultura brasileira, além da importância das diferentes etnias existentes por aqui.
Tudo Bem Ser Diferente
Autor: Todd Parr
Faixa Etária: 4 a 8 anos
A obra ensina as crianças a cultivar a paz e os bons sentimentos. O autor lida com as diferenças entre as pessoas de uma maneira divertida e simples, abordando assuntos que deixam os adultos sem resposta, como adoção, separação de pais, deficiências físicas e preconceitos raciais.
O Menino Marrom
Autor: Ziraldo
Faixa Etária: a partir de 7 anos
O Menino Marrom conta a historia da amizade entre dois meninos, um negro e um branco. Através da convivência aventureira dessas crianças ao longo de suas vidas, o autor pontua as diferenças humanas, realçando os preconceitos em alguns momentos.
Diversidade
Autor: Tatiana Belinky
Faixa etária: 8 a 12 anos
O livro mostra, através de versos, porque é importante sermos todos diferentes. A autora fala que não basta reconhecer que as pessoas não são iguais, é preciso saber respeitar as diferenças.
O que é o dia da consciência Negra?
O que é o Dia da Consciência Negra? Celebrado no dia 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra homenageia e resgata as negras raízes do povo brasileiro. Escolhido por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, ele é dedicado à reflexão sobre presença do negro na sociedade brasileira. "O Dia da Consciência Negra sinaliza a ideia do marco, marca o valor da conquista da liberdade deste grupo", explica Roseli Fischmann, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Metodista, de São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital paulista.
O dia da Consciência Negra também põe em pauta a importância de discutir a temática negra na escola. A inclusão de assuntos ligados à África e ao povo negro na educação formal é uma das estratégias para reconhecer a presença desse grupo na história do Brasil - os negros correspondem a 6,8% da população brasileira segundo o IBGE, mas os chamados "pardos" chegam a um número próximo da metade da população brasileira. Não à toa, escolas e instituições diversas já reconhecem a importância de trabalhar a cultura negra em seu dia a dia.
Hoje, a lei brasileira obriga as escolas a ensinarem temas relativos à história dos povos africanos em seu currículo. Além disso, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) estabelecem que a diversidade cultural do país deve ser trabalhada no âmbito escolar. "A sociedade em que vivemos valoriza outro estereótipo, o que resulta na invisibilização do negro. Isso tem um efeito bastante perverso: as crianças negras nunca se vêm e o que elas olham é sempre diferente delas", explica Roseli, que coordenou o grupo responsável pelo documento sobre Pluralidade Cultural nos PCNs. "A pluralidade cultural é um tema que pode ser abordado de forma transversal, em várias disciplinas", conclui. Estratégias simples, como a introdução de bonecas negras, podem ter um efeito positivo para reforçar a identificação cultural dos alunos negros. "Revelar a África pela própria visão africana também surte efeito. O continente produz cultura, histórias e mitologia, o que a perspectiva eurocêntrica não nos deixa ver", diz Oswaldo de Oliveira Santos Junior, pesquisador do Núcleo de Educação em Direitos Humanos da Universidade Metodista de São Paulo.
Veja a seguir como pais e professores podem fazer sua parte na valorização da Consciência Negra.
Leia mais: Filme que traça panorama da história dos negros no Brasil ajuda professores a abordarem a cultura africana na escola
O dia da Consciência Negra também põe em pauta a importância de discutir a temática negra na escola. A inclusão de assuntos ligados à África e ao povo negro na educação formal é uma das estratégias para reconhecer a presença desse grupo na história do Brasil - os negros correspondem a 6,8% da população brasileira segundo o IBGE, mas os chamados "pardos" chegam a um número próximo da metade da população brasileira. Não à toa, escolas e instituições diversas já reconhecem a importância de trabalhar a cultura negra em seu dia a dia.
Hoje, a lei brasileira obriga as escolas a ensinarem temas relativos à história dos povos africanos em seu currículo. Além disso, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) estabelecem que a diversidade cultural do país deve ser trabalhada no âmbito escolar. "A sociedade em que vivemos valoriza outro estereótipo, o que resulta na invisibilização do negro. Isso tem um efeito bastante perverso: as crianças negras nunca se vêm e o que elas olham é sempre diferente delas", explica Roseli, que coordenou o grupo responsável pelo documento sobre Pluralidade Cultural nos PCNs. "A pluralidade cultural é um tema que pode ser abordado de forma transversal, em várias disciplinas", conclui. Estratégias simples, como a introdução de bonecas negras, podem ter um efeito positivo para reforçar a identificação cultural dos alunos negros. "Revelar a África pela própria visão africana também surte efeito. O continente produz cultura, histórias e mitologia, o que a perspectiva eurocêntrica não nos deixa ver", diz Oswaldo de Oliveira Santos Junior, pesquisador do Núcleo de Educação em Direitos Humanos da Universidade Metodista de São Paulo.
Veja a seguir como pais e professores podem fazer sua parte na valorização da Consciência Negra.
Leia mais: Filme que traça panorama da história dos negros no Brasil ajuda professores a abordarem a cultura africana na escola
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
O USO DE MAPAS CONCEITUAIS EM SALA DE AULA
Faustina Loss Justo
Faustina Loss Justo
Agente Técnica do Instituto Ayrton Senna
O mapa conceitual é uma forma de representar graficamente o conhecimento que temos de determinada temática a partir de conceitos ou palavras-chave, representando, assim, o conjunto de significações que construímos sobre tal assunto.
Ou seja, o mapa conceitual, é uma estratégia que possibilita fotografar a representação do conhecimento do aluno desde seu ponto inicial até as modificações em suas várias versões. Dessa forma, os mapas podem expressar certezas e, também, dúvidas na medida em que essas representam um conhecimento provisório e as transformações no percurso da aprendizagem.
Novak é considerado o criador dos mapas conceituais e se baseou na teoria da aprendizagem significativa de Ausubel.
Existem diversas concepções de mapas conceituais e por trás de cada uma delas está uma determinada concepção de aprendizagem. Para o Programa Escola Conectada, do Instituto Ayrton Senna, o uso de mapas conceituais implica em uma concepção de aprendizagem centrada no aluno, ou seja, o aluno é percebido como um ser ativo, autônomo e protagonista.
Assim, ao construir um mapa conceitual, o aluno está fazendo um exercício mental e, consequentemente, desenvolvendo competências, ou seja, analisando, selecionando, relacionando, inferindo…
Entendemos assim que o MC é uma estratégia que permite ao aluno representar graficamente suas ideias e estabelecer ligações entre elas. Além de possibilitar ao professor ter acesso às relações que os alunos estabelecem no pensamento, acompanhando assim o percurso de sua aprendizagem, analisando e compreendendo como o aprendiz opera mentalmente com os conceitos trabalhados no Mapa.
Portanto, como uma ferramenta de aprendizagem, a construção do mapa conceitual possibilita ao aluno:
Resolver problemas ao tomar decisões, por exemplo.
Desenvolver habilidades de leitura e escrita ao coletar, selecionar e registrar dados.
Refletir sobre informações e conceitos ao construir argumentações para defender seu ponto de vista.
Estabelecer relações entre conceitos ao elaborar as proposições.
Selecionar, analisar, compreender e relacionar informações ao buscar e conferir informações.
Definir, comparar e explicar conceitos ao construir argumentação.
Registrar graficamente conhecimentos ao representar o conhecimento no MC.
No entanto, a intervenção do professor no Mapa Conceitual do aluno é necessária para:
· Compreender o que o aluno dispôs no mapa,
· Ajudar o aluno a aperfeiçoar a representação de seu conhecimento na construção das proposições e aprender mais
· Propor estratégias de mediação.
Ao intervir no MC do aluno devemos considerar:
· A importância da análise da forma e do conteúdo explicitado para auxiliar o aluno a entender porque se faz um mapa e como se deve construí-lo. Então, a primeira intervenção do professor diz respeito a observar se o aluno, de fato, selecionou conceitos e, caso não tenha conseguido, indagá-lo sobre que palavras são fundamentais no entendimento do assunto sobre o qual está construindo o mapa.
· O segundo aspecto remete à importância da verbalização para o aperfeiçoamento e a compreensão do explicitado no mapa. Ao indagar, o professor dá indicações ao aluno de que perguntas, a partir do mapa, precisam ser respondidas para que realmente compreenda o assunto em foco. Muitas vezes, os alunos não se dão conta sozinhos de que faltam informações no mapa e que algumas proposições podem relacionar-se a outras,
Por outro lado, somente observando, podemos não entender a lógica do aluno. É preciso perguntar para compreender porque o aluno relacionou alguns conceitos e não outros, porque utilizou determinado verbo e outro não e como o autor explica as proposições construídas.
· Outro aspecto a considerar é a possibilidade de promover a construção de novas versões do MC. Afinal o nosso entendimento sobre as coisas evoluem e se transformam à medida que conhecemos mais. Portanto, é muito importante que o professor estimule o aluno a construir uma nova versão do MC, a fim de que o aluno tenha a chance de reelaborar suas ideias, complementá-las, ampliá-las ou modificá-las.
É importante lembrar que:
· O mapa pode apresentar-se de uma forma simples e ser estruturado de forma bastante pessoal. O que importa é que sempre comporta novas ligações, podendo ser ampliado e modificado a qualquer nova versão, levando-se em conta que nosso conhecimento se amplia e evolui.
· Não existem relações erradas no mapa conceitual, pois elas representam o entendimento que temos em determinada etapa de seu desenvolvimento.
Ao analisar o formato/estrutura podemos identificar os elementos que constituem um MC. Vejamos no exemplo da primeira versão de um Mapa Conceitual, cuja
temática é banana:
· Os conceitos aparecem dentro das caixinhas e os verbos interceptando as linhas que unem os conceitos, fazendo as relações e expressando uma proposição (conceito – verbo – conceito).
· Na relação entre os conceitos as setas estabelecem as relações que indicam as proposições do autor. As setas podem ou não ter duplo sentido.
· Os conceitos são representados por substantivos, os quais expressam com mais clareza nossas ideias.
· Quanto aos verbos (ações), o ideal é que apareçam no Modo Indicativo, pois expressam atitude de certezas, auxiliando o leitor a entender a relação estabelecida pelo autor do mapa.
· O MC pode ser lido em qualquer sentido, pois as relações não são hierárquicas e nem partem sempre em sequência. O mapa pode ser um emaranhado de relações, uns conceitos se relacionando a outros.
· Por último gostaria de lembrar que o MC sempre está aberto para ser modificado, ampliado, para novas interpretações, ou seja, para novas aprendizagens.
O Cmaps Toolls é um programa próprio para fazer MC e pode ser baixado gratuitamente no endereço http://cmap.ihmc.us/download/index.php
Para baixar o programa é requisitado efetuar um cadastro no site do desenvolvedor. Para isso é só preencher alguns campos e poderá baixar o programa.
Bibliografia
· DUTRA, Ítalo Modesto. Mapas conceituais e uma proposta de categorias construtivistas para seu uso na avaliação da aprendizagem. Salto para o Futuro, programa 5 Novas formas de aprender, novas formas de avaliar, do Salto para o futuro. Disponível em http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2005/nfa/tetxt5.htm
· Instituto Ayrton Senna. Escola Conectada: Guia para Educadores.
· LACERDA, Rosália Procasko. A intervenção do professor nos mapas conceituais dos alunos. Disponível em http://www.educacaoetecnologia.org.br/escolaconectada/?p=214
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Esse post foi publicado de sábado, 17 de setembro de 2011 às 9:39, e arquivado em Artigos. Você pode acompanhar os comentários desse post através do feed RSS 2.0. Você pode comentar ou mandar um trackback do seu site pra cá.
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Agente Técnica do Instituto Ayrton Senna
O mapa conceitual é uma forma de representar graficamente o conhecimento que temos de determinada temática a partir de conceitos ou palavras-chave, representando, assim, o conjunto de significações que construímos sobre tal assunto.
Ou seja, o mapa conceitual, é uma estratégia que possibilita fotografar a representação do conhecimento do aluno desde seu ponto inicial até as modificações em suas várias versões. Dessa forma, os mapas podem expressar certezas e, também, dúvidas na medida em que essas representam um conhecimento provisório e as transformações no percurso da aprendizagem.
Novak é considerado o criador dos mapas conceituais e se baseou na teoria da aprendizagem significativa de Ausubel.
Existem diversas concepções de mapas conceituais e por trás de cada uma delas está uma determinada concepção de aprendizagem. Para o Programa Escola Conectada, do Instituto Ayrton Senna, o uso de mapas conceituais implica em uma concepção de aprendizagem centrada no aluno, ou seja, o aluno é percebido como um ser ativo, autônomo e protagonista.
Assim, ao construir um mapa conceitual, o aluno está fazendo um exercício mental e, consequentemente, desenvolvendo competências, ou seja, analisando, selecionando, relacionando, inferindo…
Entendemos assim que o MC é uma estratégia que permite ao aluno representar graficamente suas ideias e estabelecer ligações entre elas. Além de possibilitar ao professor ter acesso às relações que os alunos estabelecem no pensamento, acompanhando assim o percurso de sua aprendizagem, analisando e compreendendo como o aprendiz opera mentalmente com os conceitos trabalhados no Mapa.
Portanto, como uma ferramenta de aprendizagem, a construção do mapa conceitual possibilita ao aluno:
Resolver problemas ao tomar decisões, por exemplo.
Desenvolver habilidades de leitura e escrita ao coletar, selecionar e registrar dados.
Refletir sobre informações e conceitos ao construir argumentações para defender seu ponto de vista.
Estabelecer relações entre conceitos ao elaborar as proposições.
Selecionar, analisar, compreender e relacionar informações ao buscar e conferir informações.
Definir, comparar e explicar conceitos ao construir argumentação.
Registrar graficamente conhecimentos ao representar o conhecimento no MC.
No entanto, a intervenção do professor no Mapa Conceitual do aluno é necessária para:
· Compreender o que o aluno dispôs no mapa,
· Ajudar o aluno a aperfeiçoar a representação de seu conhecimento na construção das proposições e aprender mais
· Propor estratégias de mediação.
Ao intervir no MC do aluno devemos considerar:
· A importância da análise da forma e do conteúdo explicitado para auxiliar o aluno a entender porque se faz um mapa e como se deve construí-lo. Então, a primeira intervenção do professor diz respeito a observar se o aluno, de fato, selecionou conceitos e, caso não tenha conseguido, indagá-lo sobre que palavras são fundamentais no entendimento do assunto sobre o qual está construindo o mapa.
· O segundo aspecto remete à importância da verbalização para o aperfeiçoamento e a compreensão do explicitado no mapa. Ao indagar, o professor dá indicações ao aluno de que perguntas, a partir do mapa, precisam ser respondidas para que realmente compreenda o assunto em foco. Muitas vezes, os alunos não se dão conta sozinhos de que faltam informações no mapa e que algumas proposições podem relacionar-se a outras,
Por outro lado, somente observando, podemos não entender a lógica do aluno. É preciso perguntar para compreender porque o aluno relacionou alguns conceitos e não outros, porque utilizou determinado verbo e outro não e como o autor explica as proposições construídas.
· Outro aspecto a considerar é a possibilidade de promover a construção de novas versões do MC. Afinal o nosso entendimento sobre as coisas evoluem e se transformam à medida que conhecemos mais. Portanto, é muito importante que o professor estimule o aluno a construir uma nova versão do MC, a fim de que o aluno tenha a chance de reelaborar suas ideias, complementá-las, ampliá-las ou modificá-las.
É importante lembrar que:
· O mapa pode apresentar-se de uma forma simples e ser estruturado de forma bastante pessoal. O que importa é que sempre comporta novas ligações, podendo ser ampliado e modificado a qualquer nova versão, levando-se em conta que nosso conhecimento se amplia e evolui.
· Não existem relações erradas no mapa conceitual, pois elas representam o entendimento que temos em determinada etapa de seu desenvolvimento.
Ao analisar o formato/estrutura podemos identificar os elementos que constituem um MC. Vejamos no exemplo da primeira versão de um Mapa Conceitual, cuja
temática é banana:
· Os conceitos aparecem dentro das caixinhas e os verbos interceptando as linhas que unem os conceitos, fazendo as relações e expressando uma proposição (conceito – verbo – conceito).
· Na relação entre os conceitos as setas estabelecem as relações que indicam as proposições do autor. As setas podem ou não ter duplo sentido.
· Os conceitos são representados por substantivos, os quais expressam com mais clareza nossas ideias.
· Quanto aos verbos (ações), o ideal é que apareçam no Modo Indicativo, pois expressam atitude de certezas, auxiliando o leitor a entender a relação estabelecida pelo autor do mapa.
· O MC pode ser lido em qualquer sentido, pois as relações não são hierárquicas e nem partem sempre em sequência. O mapa pode ser um emaranhado de relações, uns conceitos se relacionando a outros.
· Por último gostaria de lembrar que o MC sempre está aberto para ser modificado, ampliado, para novas interpretações, ou seja, para novas aprendizagens.
O Cmaps Toolls é um programa próprio para fazer MC e pode ser baixado gratuitamente no endereço http://cmap.ihmc.us/download/index.php
Para baixar o programa é requisitado efetuar um cadastro no site do desenvolvedor. Para isso é só preencher alguns campos e poderá baixar o programa.
Bibliografia
· DUTRA, Ítalo Modesto. Mapas conceituais e uma proposta de categorias construtivistas para seu uso na avaliação da aprendizagem. Salto para o Futuro, programa 5 Novas formas de aprender, novas formas de avaliar, do Salto para o futuro. Disponível em http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2005/nfa/tetxt5.htm
· Instituto Ayrton Senna. Escola Conectada: Guia para Educadores.
· LACERDA, Rosália Procasko. A intervenção do professor nos mapas conceituais dos alunos. Disponível em http://www.educacaoetecnologia.org.br/escolaconectada/?p=214
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